Terra de raras belezas tropicais, pratos bem temperados, do maior carnaval de rua do país, do sincretismo religioso e da efervescência cultural, a Bahia oferece aos seus visitantes o que há de melhor no Brasil. Às receitas milenares de tribos indígenas, à rusticidade improvisada nas senzalas dos escravos africanos e ao legado deixado por povos de outros continentes, somaram-se a fineza e o requinte da cozinha real portuguesa, concedendo ao Estado toda a sua riqueza.
Pela série de características singulares, a Bahia tornou-se um dos principais destinos turísticos internacionais. Por sua natureza e história, o Estado também é objeto de estudo para especialistas das mais diversas áreas, que percebem nos contrastes de seu povo, o retrato mais fiel do Brasil.
A Bahia é também a Terra de todos os ritos e mitos. As diversas expressões folclóricas ostentam a riqueza do imaginário popular. Rodas de samba, Puxadas de Mastro, Capoeira, Ternos de Reis, Bumba-meu-boi, Afoxé e tantas outras colorem, animam e exibem a fé inabalável do baiano por toda a capital e interior. Um mosaico de festejos e celebrações às crenças de origem africana, indígena e portuguesa, ao tempero singular da baianidade.
Em Salvador, sobe-se até à Cidade Alta para admirar o núcleo histórico da primeira capital do Brasil, fundada por Thomé de Sousa em 1549. A arquitetura civil dos séculos XVII e XVIII, conjuntamente às belas igrejas barrocas, sobrevive no renovado Bairro do Pelourinho, o maior aglomerado de urbanismo e arquitetura coloniais de todo o Brasil.
Mas é junto ao mar, na Cidade Baixa, que um quase anônimo cais concentra em si a chave que decifra a cultura baiana e, em certa medida, todo o conceito Brasil.
Chamado de “Chega nego”, foi a porta de entrada dos escravos africanos no território sul-americano, lugar de desembarque dos escravos provenientes da costa ocidental africana, ainda na primeira metade do século XV. O número total é incerto - mais de seis milhões, provavelmente, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro.
O tráfico negreiro levou para a Bahia gente de três grandes grupos culturais, originários do Sudão, Gambia, Serra Leoa, Costa do Marfim, Nigéria e Angola, gente que desenhou a pulso e com o próprio sangue “o coração negro do Brasil”, como dizia Jorge Amado.
A miscigenação dos povos que ali conviveram trouxe como herança um efervescente caldeirão cultural. Não à toa, seu povo diz que, em Salvador, não se nasce; estréia. E foi com essa marca que vários artistas, ritmos e estilos começaram a trilhar a história da música verde-e-amarela; e de todas as cores, de todos os tons, pra todos os gostos...
Ao longo dos anos, com os grandes investimentos realizados na cidade, Salvador se tornou um ícone brasileiro. A “baianidade” virou uma febre e as belezas do Estado alcançaram um lugar bem especial na imaginação e nos sonhos de quem passa por ali.
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